domingo, 11 de setembro de 2011

Bandas e fanfarras e a praga do copia e cola

Muitas vezes somos induzidos a erros. A velha história do Goebbels (Ministro da Propaganda Nazista) continua valendo, mesmo que não seja mentira. Repetir uma expressão errada acaba tornando-a quase verdadeira. Se não analisada e questionada.

Em Criciúma tivemos um episódio interessante quando estava para se instalar na cidade um grupo da Polícia Militar Montada. Alguém, sem querer naturalmente, na Prefeitura de Criciúma grafou “Cavalaria Montada” e distribuiu relises.
A praga do “control C/control V” fez o resto. Podem procurar nos jornais de Criciúma e região e vão encontrar a expressão, como se fosse possível uma “cavalaria” que não fosse “montada”.

O pelotão da PM, com o passar dos meses deixou de ser pauta, caiu no esquecimento e ficou, apenas, a certeza que o “factóide” somente serviu para ampliar os custos da PM, sem a devida relação custo/benefício. Nem precisa dizer que dois policiais usando motos “off road”, produzem bem mais que dois “montados”.

A nova expressão a induzir a erro veio com a semana da pátria e mais uma iniciativa da administração municipal de Criciúma, elogiável aliás, de dotar escolas da sua rede com fanfarras. Nessa onda surgiu a expressão “banda fanfarra”. Um relise saiu, a imprensa publicou e a praga do copia/cola, se encarregou do resto.

Veja: http://www.criciuma.sc.gov.br/lernoticias.php?codigo=6283

A vereadora Tati Teixeira caiu no golpe. Ela tuitou no sábado: “Hj acompanhei Desfile Cívico de Criciúma. Meu filho Vittor faz parte da banda fanfarra da Escola Serafina# maeorgulhosa”.

Com toda razão, Tati e Daniel, seu marido, têm motivos de sobra para o orgulho do rebento que conheço desde que nasceu. Mas, “banda fanfarra”, simplesmente, não existe. São duas coisas distintas.

Rudemente dá para explicar que existem duas grandes divisões: bandas e fanfarras. Dentro de cada uma existem outras. Por exemplo: as bandas podem ser de marcha, de concerto ou sinfônicas. As fanfarras podem ser simples – como as das escolas municipais de Criciúma – ou de um, dois, ou mais “válvulas”.

As “válvula” substituem uma expressão mais utilizada no passado: “piston”. As “cornetas” não têm válvulas, ou tem uma ou duas delas. Depois disso passa a ser “tropete”, ou “piston”, se preferirem. Ou seja: sem instrumentos de sopro, não é “banda”.

Quanto mais instrumentos de sopro com “válvulas”, e percussão, e seu estilo de apresentação tornam o grupo musical uma banda. Se ainda restou alguma dúvida, acesse: http://www.cnbf.org.br/, o endereço da Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras, que aliás, está anunciando:
"CAMPEONATO ABERTO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DIA 2 DE OUTUBRO DE 2011
Classificatória para as categorias: Fanfarras Simples, Fanfarras c/ 1 Válvula, Bandas Musicais de Marcha, Bandas de Concerto e Sinfônicas.
LOCAL: Município de Jambeiro / SP ( praça central )
A PARTIR das 9.00 horas"

Antes de tudo! Voltei

As questões profissionais me afastaram deste exercício, mas estou de volta, com um novo foco. Pretendo utilizar este espaço para tentar explicar algumas coisas que vejo, ouço e leio por aí. Por vezes as situações/expressões/opiniões são ditas, repetidas, entram para o imaginário e não são questionadas. Exemplo: quem ainda não ouviu a expressão “antes de mais nada”. Antes de mais nada? Não tem nada mesmo. É mais apropriado, para quem quer comentar algo antes de alguma coisa, afirmar “antes de tudo”. Ou não? Abs!