terça-feira, 5 de março de 2013

Unanimidade e burrice

     Ouvi nesta manhã João Paulo Messer afirmar, na Eldorado, que a eleição do último domingo comprovou uma unanimidade: o eleitor não quer saber de questionamentos judiciais por partidos políticos de delitos de seus adversários, sejam administradores durante mandatos ou em campanhas eleitorais.

     Alto lá companheiro Messer! Prefiro me alinhar ao jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912/1980): “toda unanimidade é burra”.



      Pensar como esta maioria que referendou Salvaro, em Criciúma, e Décio em Balneário Rincão, e tornar isto uma unanimidade inquestionável, infelizmente e, quem sabe inconscientemente, é aprofundar o medíocre pensamento de milhões de brasileiros “ele rouba mais faz”.

     Não que Salvaro ou Décio, tenham “roubado”, que fique claro, pelo menos no que prevê o artigo 157 do Código Penal Brasileiro. E sem qualquer intenção de ataques pessoais a ambos, que respeito.

     Uma das técnicas interessantes de se fazer raciocínios sobre estas questões, quando acadêmico do curso de Direito da Unesc, consistia em mudarmos o tipo de delito e, principalmente, de “réus”. Imagine, por exemplo, se tivéssemos o mesmo conceito construído pelos ex-prefeitos para o ex-goleiro Bruno, do Flamengo.

     Será que alguém do conselho de sentença do júri popular pensará “coitado do Bruno, bom goleiro, merecia estar na seleção e aquela ´Maria Chuteira` estragou tudo, vou votar por sua absolvição, ele ainda pode dar muitas alegrias ao Flamengo e ao povo brasileiro”?

    Por coincidências da vida, à época em que Salvaro e Décio foram condenados pela justiça, era acadêmico de Direito e tive oportunidade de ler os autos dos dois processos e acompanhar o desenrolar dos fatos. Quem “estudou”, tecnicamente, estes autos sabe que Clésio não foi condenado “apenas” por fazer casamentos comunitários e Décio não perdeu o mandato por conta da palavra “feliz” em um jingle da Festa das Etnias.

     Qualquer cidadão, partido político, padre, jornalista, radialista, professor, ou seja lá quem for, conhecedor de ações ou omissões que afetem as leis e a possibilidade de enganar o povo, deve, repito, deve, denunciar o transgressor à justiça. Não fazê-lo é imoral, é hipocrisia!

     Não fazê-lo, é aprofundar as diferenças sociais, é aviltar a lei, é estimular que os “espertos” continuem a superar os honestos e os de boa índole, é colocar cada vez mais o país no atoleiro da canalhice criado há mais de 500 anos, quando tudo isto teve início, aliás, da pior forma.

     Nelson Rodrigues, também disse que “a maior desgraça da democracia, é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade”. Sou obrigado a concordar, assim como também tem a razão outro escritor brasileiro, menos conhecido, M.M. Soriano, que aquilatou a frase de Nelson Rodrigues. Disse Soriano “ tenho sérias dúvidas sobre 'Toda a unanimidade é burra' do Nelson Rodrigues. Na realidade, em certos momentos, só consigo conceber que toda a burrice seja unânime”.

domingo, 11 de setembro de 2011

Bandas e fanfarras e a praga do copia e cola

Muitas vezes somos induzidos a erros. A velha história do Goebbels (Ministro da Propaganda Nazista) continua valendo, mesmo que não seja mentira. Repetir uma expressão errada acaba tornando-a quase verdadeira. Se não analisada e questionada.

Em Criciúma tivemos um episódio interessante quando estava para se instalar na cidade um grupo da Polícia Militar Montada. Alguém, sem querer naturalmente, na Prefeitura de Criciúma grafou “Cavalaria Montada” e distribuiu relises.
A praga do “control C/control V” fez o resto. Podem procurar nos jornais de Criciúma e região e vão encontrar a expressão, como se fosse possível uma “cavalaria” que não fosse “montada”.

O pelotão da PM, com o passar dos meses deixou de ser pauta, caiu no esquecimento e ficou, apenas, a certeza que o “factóide” somente serviu para ampliar os custos da PM, sem a devida relação custo/benefício. Nem precisa dizer que dois policiais usando motos “off road”, produzem bem mais que dois “montados”.

A nova expressão a induzir a erro veio com a semana da pátria e mais uma iniciativa da administração municipal de Criciúma, elogiável aliás, de dotar escolas da sua rede com fanfarras. Nessa onda surgiu a expressão “banda fanfarra”. Um relise saiu, a imprensa publicou e a praga do copia/cola, se encarregou do resto.

Veja: http://www.criciuma.sc.gov.br/lernoticias.php?codigo=6283

A vereadora Tati Teixeira caiu no golpe. Ela tuitou no sábado: “Hj acompanhei Desfile Cívico de Criciúma. Meu filho Vittor faz parte da banda fanfarra da Escola Serafina# maeorgulhosa”.

Com toda razão, Tati e Daniel, seu marido, têm motivos de sobra para o orgulho do rebento que conheço desde que nasceu. Mas, “banda fanfarra”, simplesmente, não existe. São duas coisas distintas.

Rudemente dá para explicar que existem duas grandes divisões: bandas e fanfarras. Dentro de cada uma existem outras. Por exemplo: as bandas podem ser de marcha, de concerto ou sinfônicas. As fanfarras podem ser simples – como as das escolas municipais de Criciúma – ou de um, dois, ou mais “válvulas”.

As “válvula” substituem uma expressão mais utilizada no passado: “piston”. As “cornetas” não têm válvulas, ou tem uma ou duas delas. Depois disso passa a ser “tropete”, ou “piston”, se preferirem. Ou seja: sem instrumentos de sopro, não é “banda”.

Quanto mais instrumentos de sopro com “válvulas”, e percussão, e seu estilo de apresentação tornam o grupo musical uma banda. Se ainda restou alguma dúvida, acesse: http://www.cnbf.org.br/, o endereço da Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras, que aliás, está anunciando:
"CAMPEONATO ABERTO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DIA 2 DE OUTUBRO DE 2011
Classificatória para as categorias: Fanfarras Simples, Fanfarras c/ 1 Válvula, Bandas Musicais de Marcha, Bandas de Concerto e Sinfônicas.
LOCAL: Município de Jambeiro / SP ( praça central )
A PARTIR das 9.00 horas"

Antes de tudo! Voltei

As questões profissionais me afastaram deste exercício, mas estou de volta, com um novo foco. Pretendo utilizar este espaço para tentar explicar algumas coisas que vejo, ouço e leio por aí. Por vezes as situações/expressões/opiniões são ditas, repetidas, entram para o imaginário e não são questionadas. Exemplo: quem ainda não ouviu a expressão “antes de mais nada”. Antes de mais nada? Não tem nada mesmo. É mais apropriado, para quem quer comentar algo antes de alguma coisa, afirmar “antes de tudo”. Ou não? Abs!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Dose exagerada de remédio é veneno


Publicidade (ou propaganda) é feito remédio. A dose precisa ser muito bem analisada e administrada. Todo excesso é prejudicial. Vira droga, veneno. Os políticos nem sempre atentam para isso e, muitas vezes, acabando estragando tudo com exposição exagerada.

Aquela velha máxima “falem bem, ou mal, mas falem de mim”, não serve nos tempos atuais. Quem muito fica na vitrine se sujeita a levar pedradas... A máxima de que um slogan deve ser repetido a exaustão, também segue a mesma linha.

Afixar o slogan em locais inadequados, na ânsia de difundir a marca, pode ser prejudicial. Não acham?

sábado, 18 de junho de 2011

Um sábado espetacular no parque







A tarde deste sábado foi uma mostra de quanto é importante um parque na vida da cidade. O Parque Centenário, com sua pista de caminhada, academia ao ar livre, monumento das etnias e o Largo da Bandeira, estava espetacular. Um verdadeira clima familiar e lotado de pessoas interessadas no que a vida tem de bom para oferecer em uma tarde de sábado.

Além do tradicional pessoal das caminhadas e corridas, foi possível ver entre os “simples mortais”, figuras ilustres como o goleiro Andrey, do Criciúma E.C., ‘brincando” com um desses carrinhos de controle remoto; o técnico da seleção brasileira de futsal, Marcos Soratto, o Pipoca, passeando com a filha; um grupo de street dance (Elements of Evolution)ensaiando; e um pessoal jogando capoeira.

Criciúma, seguramente, precisa de outros pontos desse tipo e espero que o fato se repita no Parque das Nações, que deve ser inaugurado, parcialmente, no segundo semestre e, segundo os maledicentes, sem a presença do Padre Marcelo. Isso, no entanto, é outra história...

Fundamental é a cidade ter espaço públicos bem cuidados, arborizados (uma falha do Parque Centenário), onde as pessoas possam ter momentos de lazer, possam praticar esportes e se relacionar. Ver pais e filhos jogando futebol, correndo e brincando, cidadãos cuidando de seus corpos é certeza que estamos construindo uma cidade melhor.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tá legal, eu aceito o argumento!


“Estamos diante de enormes desafios: ou o jornalismo muda, conquista novos formatos, linguagens e, principalmente, recupera o interesse dos jovens; ou, pior do que a morte, o jornalismo corre o risco de se tornar irrelevante para as futuras gerações”. A afirmação, parte de interessante texto publicado em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=643TVQ001, exige reflexões. Muitas. E urgentes.

Concordo plenamente que estamos caindo numa mesmice desgraçada. Abre-se dois ou três jornais e as informações são as mesmas. Seria trágico, não fosse cômico o motivo: a coincidência se dá pelo fato dos veículos publicarem, majoritariamente, relises.

Sou de um tempo que, como editor de um grande jornal, no momento de baixar a página os relises eram seqüenciados por importância de interesse da coletividade, após os demais textos de “produção própria”. Hoje o editor, na maioria dos casos, administra relises...

Lembrei dia desses de uma “lenda” que se conta sobre a canção “Argumento”, de Paulinho da Viola (http://www.youtube.com/watch?v=T1gB9Dwn7Ek) . À época quem fazia muito sucesso era o saudoso Benito de Paula, com um samba cheio de piano, violinos, instrumentos de sopro... Paulinho reagiu com “Argumento”.

Se a “lenda” é verdadeira, também é possível se relacionar uma coisa com a outra, apesar de parecerem amendoim e coca-cola... Ta legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o jornalismo tanto assim, diria eu. Acrescentando: olha que a rapaziada está sentindo a falta de uma boa reportagem, sobre pautas que estão por aí, pedindo investigações.

Ta legal, repito, eu aceito o argumento, mas convenhamos as reportagens esportivas na TV, viraram brincadeira de gosto duvidável. Vez ou outra fazer um “trocadalho”, uma relação com determinado filme ou música, tudo bem. Agora, do jeito que está, se tornou aquilo que no passado chamávamos de “nariz de cera”. Haja “lingüiça a ser cheia”. E saco para suportar certos jornalistas que estão mais para atores, ou humoristas, quase sempre canastrões e sem graça alguma.

Foto "chupada" em:http://alaorilladelguaso.blogspot.com

terça-feira, 24 de maio de 2011

Tirem os cavalinhos da chuva!


Mais uma da caminhada matinal no Parque Centenário... Três cavalos – isso mesmo -, passaram o dia pastando pelo belo equipamento municipal.

Pouco antes do almoço, o trio estava aproveitado a sombra e o farto alimento aos fundos do Paço Municipal, o prédio que abriga a prefeitura de Criciúma. No final da tarde estava nas proximidades do teatro e do ginásio de esportes.

E fica por isso mesmo... A não ser que os animais sejam de propriedade da administração municipal, que já demonstrou seu apreço por esse tipo de criatura.

Lembram o esforço para que fosse implantado na cidade um pelotão da PM Montada, um tiro no pé da segurança pública local?

Pois bem, um bem graduado militar não esconde dos que lhes são mais próximos: trocaria, imediatamente, os cavalos por motocicletas, muito mais ágeis e, sobretudo, mais baratas de se manter.

Para ter dois cavaleiros no centro, por exemplo – só para impressionar – é preciso um caminhão para transportar os animais; o asfalto, seguramente, não é o piso mais apropriado aos animais e se as nuvens tornarem o céu plúmbeo (essa é boa!!!) , tiram-se os cavalinhos da chuva. Literalmente.

A tudo isso some-se necessidade de pessoal especializado para tratar os animais, a alimentação adequada, períodos de descanso, aluguel do Haras HG, entre outros cuidados necessários, para se concluir que a cavalaria é um tipo de policiamento perfeitamente incompatível com a atual realidade.